Olá, futuro aprovado!
Comecei a compartilhar mais da minha rotina no meu instagram e tenho recebido mensagens como “queria ter a sua disciplina” ou “você parece conseguir fazer tudo andar”.
Por um instante, fui levada de volta no tempo, não para o dia da minha primeira aprovação, mas para o processo antes dela.
É curioso como, de fora, o resultado parece uma linha de chegada brilhando. Como se quem passou tivesse nascido com algo a mais: foco, coragem, inteligência, capacidade.
Cada vez que leio essas mensagens, lembro que nada disso começou pronto.
A mudança que as pessoas enxergam por fora não é privilégio, é construção. E construir dói (muito), porque exige revisar quem você é, encarar as lacunas, superar os dias em que nada parece funcionar e, ainda assim, continuar a navegar.
Afinal, ninguém atravessa as quedas, revisões, autocrítica, recomeços de uma preparação inteira e sai igual ao que entrou. E é dessa transformação silenciosa — que nenhum edital cobra, mas que é exigida de todo aprovado — que eu quero falar hoje.
O clique do interruptor
Há um instante muito sutil, quase uma voz que sopra no seu ouvido e faz você perceber que a metodologia não é o único eixo de ajuste, que para alcançar a aprovação você precisa começar a pensar diferente.
Que não adianta seguir em frente se tudo o que você pensa é em como tudo está muito além das suas capacidades. Antes de dominar conteúdo, você precisa enfrentar sua narrativa interna.
O que realmente passa a importar é: quem você se permite ser enquanto aprende.
Mindset: afinal, somos predestinados?
Preciso introduzir alguns dos conceitos apresentados pela escritora Caroline Dweck, em seu livro “Mindset”. Nele, ela nomeia essas duas formas de ver o mundo: o mindset de crescimento e o mindset fixo:
📈 O mindset de crescimento é um posicionamento interno. É a recusa em aceitar que um resultado ruim define quem você é. É identificar que a frustração não prova incapacidade, apenas revela uma lacuna. E lacunas, diferente de rótulos, podem ser preenchidas se você tiver resiliência.
📉 Do outro lado da moeda, temos o mindset fixo. Nele, o erro vira sentença. A dificuldade vira identidade. E aí você estuda horas, assiste aulas, monta cronogramas, mas continua carregando por dentro aquela sensação de que “não é para você”.
Essa narrativa das pessoas simplesmente serem fadadas ao fracasso ou ao sucesso é bem confortável, mas muito limitante. É uma história que te convence a desistir antes mesmo de descobrir até onde você poderia ir.
É quase como uma profecia sobre o seu destino que se cumpre sozinha: quando você acredita que não pode mudar, nem tenta. E quando não tenta, nada muda.
E o que tem de ciência nisso?
Para não transformar mindset em um discurso vazio de “repita no espelho: você é um vencedor”, precisamos puxar o fio da neurociência.
🧠 Neuroplasticidade: a capacidade que o cérebro tem de se adaptar e criar conexões novas em resposta ao ambiente.
Em outras palavras: cada vez que você se arrisca um pouco além da zona de conforto, seu cérebro reorganiza caminhos, fortalece estruturas e expande a compreensão.
Mesmo que você fracasse, a mudança já ocorreu. Você já é outra pessoa.
A verdade simples e desconfortável
Não adianta também olharmos com um óculos cor-de-rosa para tudo: se você não é bom em algo, apenas ser otimista não vai fazer com que você evolua. É preciso trabalho duro e muita energia (nas coisas certas) para atingir o que desejamos.
O que eu quero dizer é que, se você não é bom em algo, se você não tem as habilidades necessárias no momento, isso não significa que isso está escrito em pedra. Você é plenamente capaz de se tornar capaz.
Você não estuda com o cérebro que tem. Você constrói o cérebro que precisa.
Ainda: a matéria-prima da evolução
Essa palavra tem muito poder. “Não consigo” e “não consigo ainda” parecem quase iguais, mas são completamente diferentes.
Colocar esse pequeno “ainda” na frase mostra a coragem:
de olhar para suas limitações sem vergonha,
de enfrentar o difícil sem temer o que ele revela,
de entender que, antes de dominar qualquer conteúdo, você precisa se abrir para aprender a aprender.
E é nesse ponto, interno e invisível, que o crescimento real acontece.
No meu último vídeo aprofundo um pouco nos exemplos, assim você consegue entender em que ponto você está e como melhorar.

É bem interessante para quem quer entender um pouco mais sobre como nossos diálogos internos podem impactar nossos resultados (para o bem ou para o mal). Clique no botão abaixo para assistir 🎥 :
Se eu puder te deixar um conselho hoje…
Não se maltrate exigindo resultados que você ainda não teve tempo de construir. Em vez disso, faça uma pergunta simples e honesta: “Meu discurso interno se alinha com meus objetivos?”
✍ Minhas recomendações para a semana
📚 LIVRO
Depois de tudo que conversamos hoje, não teria como não indicar “Mindset: A nova psicologia do sucesso”, de Carol S. Dweck. É o tipo de leitura que te pega pela mão e te coloca diante de si mesmo, sem julgamentos.
É um livro para quem está cansado de achar que já foi até o seu limite. Para quem quer entender, com base em ciência, como o cérebro muda quando a gente decide mudar junto.
Vou aproveitar e deixar também um vídeo que gravei sobre Neuroplasticidade, um conceito importante para aproveitar melhor o livro.
🎧 PODCAST
Para complementar o tema, ao invés de um podcast, quero deixar um vídeo da Tamara Klink, navegadora e escritora, no TEDxSaoPaulo.
Nele ela conta, com uma calma quase poética, que não cruzou sozinha o Atlântico movida por uma coragem extraordinária, mas pela falta de certezas. Foi não saber, e não ouvir de ninguém, o tamanho do impossível a ser realizado.
É uma história para ouvir com o coração aberto, especialmente nos dias em que o desafio parece grande demais.
🎐 Mensagem da semana
“Eu estou sempre fazendo aquilo que não sou capaz, numa tentativa de aprender como fazê-lo.”
Nos vemos na próxima semana 💛
Até a próxima edição!


